Uma Thurman revela o porquê de estar furiosa em entrevista com o The New York Times

Foi no dia 3 de Fevereiro que Uma Thurman, que interpreta Lenny Cohen em Imposters, em reveladora entrevista com o The New York Times, conseguiu acusar Harvey Weinstein, a pessoa que mudou a vida dela completamente.

  • Confira a entrevista traduzida, abaixo:

Uma Thurman está furiosa.

Ela foi estuprada. Foi sexualmente agredida. Teve o corpo esmagado por aço quente.
Foi traída e manipulada psicologicamente por pessoas nas quais confiava.


E não estamos falando de seu papel da noiva ensanguentada em Kill Bill. Estamos falando de um mundo que é tão implacável, amoral, vingativo e misógino quanto qualquer cenário infernal de Quentin Tarantino. Estamos falando de Hollywood, onde mesmo um anjo vingativo tem dificuldade em conseguir respeito, muito menos satisfação sangrenta. Tarantino, fascinado, muitas vezes descreveu seu relacionamento com Thurman que o ajudou a conceber a ideia da noiva ensanguentada como uma lenda à moda de Alfred Hitchcock e Ingrid Bergman (com o acréscimo de um fetiche envolvendo pés). Por baixo do ouro do Oscar, porém, havia uma corrente tenebrosa que deformou o triângulo. ‘Pulp Fiction’ tornou Weinstein rico e respeitado, e Thurman diz que ele a apresentou ao presidente Barack Obama em um evento de levantamento de fundos, dizendo que ela era a razão por que ele tinha sua casa.

“O sentimento complicado que tenho em relação a Harvey é porque me sinto mal por todas as mulheres que foram atacadas depois de mim” — a atriz conta numa noite recente, angustiada em seu apartamento elegante no edifício River House, no East Side de Manhattan, enquanto fumava um cigarro eletrônico, tomava vinho branco e jogava embalagens vazias de pizza na lareira.

“Eu sou uma das razões por que garotas jovens entravam na sala dele sozinhas, como eu fazia. Quentin usou Harvey como produtor executivo de ‘Kill Bill’, um filme que simboliza o empoderamento feminino e todas aquelas ovelhinhas entraram no matadouro sem suspeitar nada porque estavam convencidas de que ninguém que chega a tal posição faria alguma coisa ilegal com elas, mas faria, sim!” — Thurman continua.

A atriz também destaca que a Creative Artists Agency, da qual era cliente no passado, está ligada ao comportamento predatório de Weinstein, desde então a agência se desculpou publicamente.

“Sou tanto uma pessoa que foi sujeita a isso quanto uma pessoa que na época fez parte do acobertamento. É uma divisão estranhíssima” — Thurman diz.

Com um ar sarcastico ela fala sobre o poder dado por ‘Pulp Fiction’ e nos lembra que o filme está na Biblioteca do Congresso e virou parte da narrativa americana.
Perguntada sobre o escândalo que ocorreu em Outubro, quando estava no tapete vermelho da premiere de sua peça na Broadway: ‘The Parisian Woman’, uma intriga sobre uma mulher glamurosa em Washington, escrita por Beau Willimon (criador de ‘House Of Cards’). 

Usei a palavra raiva, mas, para falar a verdade, estava mais com medo de chorar, não era a primeira a trazer à tona uma história que sabia ser verdadeira. O que você viu ali, na realidade, foi uma pessoa que queria ganhar tempo” — A atriz com uma expressão inflexível, conta que estava esperando para que sua raiva acalmasse um pouco antes de falar sobre o assunto.

No Dia de Ação de Graças, a atriz começou a desembainhar sua espada de Hattori Hanzo, postando no Instagram uma foto de seu monólogo com fúria de vingança e desejando a todos um feliz feriado (‘Menos a você, Harvey, e todos os seus conspiradores perversos. Acho ótimo que está indo devagar, você não merece uma bala. Fique ligado’).

Esticando seu corpo esbelto num sofá de veludo marrom diante da lareira acesa, Thurman conta sua história, interrompida de vez em quando por sua filha de cinco anos que estava de pijama, mastigando um pepino cru. Os outros dois filhos da atriz com Maya, que é atriz, e Levon, estudante secundarista, também passam pela sala rapidamente.

Em entrevistas dadas ao longo dos anos, Thurman demonstrou uma atitude calma, mesmo quando falava de seu rompimento doloroso com Hawke. (Seu primeiro casamento, com Gary Oldman). Mas, por baixo dessa reserva e dessa aura dourada, ela aprendeu a ser uma lutadora de rua.

Em sua grande e elegante sala há um grande Buda dourado de seus pais em Woodstock. Seu pai, Robert Thurman, é professor budista de estudos indo-tibetanos em Columbia e acha que Thurman é uma deusa reencarnada.

Thurman conta que quando tinha 16 anos e vivia numa quitinete em Manhattan e começando sua carreira no cinema, foi a um clube numa noite de inverno e conheceu um ator, quase 20 anos mais velho, que a coagiu mais tarde quando eles foram à casa dele em Greenwich Village para um último drink.

“Acabei me submetendo, tentei dizer ‘não’, chorei, fiz tudo o que pude. Ele me disse que a porta estava trancada, mas não cheguei a tentar abri-la. Lembro que quando cheguei em casa, me olhei no espelho, olhei minhas mãos e fiquei furiosa porque não estavam ensanguentadas ou machucadas. Uma coisa desse tipo empurra o ponteiro da balança em uma direção ou outra, certo? Você se torna mais submissa ou menos submissa. Acho que eu fiquei menos” — Ela recorda.

Ela conheceu Harvey Weinstein e a sua primeira mulher, Eve, depois de ‘Pulp Fiction’:

“Eu já o conhecia bem antes de ele me atacar, ele passava horas conversando comigo sobre materiais, elogiando minha inteligência, me valorizando. Talvez por conta disso eu não tenha prestado atenção aos sinais. Ele era o meu defensor, nunca fui uma queridinha dos estúdios, ele sempre controlava o tipo de filmes e diretores que eram certos para mim” — A atriz conta.

As coisas não demoraram para saírem dos trilhos numa reunião num quarto de hotel com Harvey em Paris:

“Eu não percebi nada do que ia acontecer, não me senti ameaçada, apenas achei que ele estava sendo super idiossincrático, como se fosse um tio excêntrico, meio maluco” — Thurman fala a respeito da reunião onde estavam discutindo sobre um roteiro até que Harvey aparece de robe vestido.

Weinstein pediu para que ela o acompanhasse até um corredor, ela lhe disse que havia um saguão para que eles pudessem continuar a conversar:

“Então eu o segui por uma porta, e era uma sauna. Eu estava usando roupa de couro preto: botas, calças, jaqueta, … Estava quentíssimo, e eu disse: ‘Isto é ridículo, o que você está fazendo?’ e ele ficou impaciente e furioso e saiu correndo” — Ela recorda.

O primeiro ataque, aconteceu pouco depois disso, na suíte de Weinstein no hotel Savoy, em Londres:

“Foi um choque tremendo. Ele me empurrou para baixo. Tentou se jogar em cima de mim. Tentou se expor. Ele fez várias coisas desagradáveis. Mas não chegou a realmente me forçar. Você fica como um bicho, se esgueirando para fugir, como uma lagartixa, eu estava fazendo tudo que podia para recolocar o trem nos trilhos. Meus trilhos. Não os trilhos dele” — Thurman revela.

Ela estava hospedada em Fulham, na zona oeste de Londres, com sua amiga Ilona Herman, que foi durante anos a maquiadora de Robert de Niro e mais tarde trabalhou com Thurman em ‘Kill Bill’.
No dia seguinte, um buquê vulgar de rosas, com mais de um metro de largura, chegou à casa dela, a atriz conta:

“Eram amarelas, quando abri o cartão, era como uma fralda suja … dizia apenas: ‘Você tem ótimos instintos’” — Thurman diz.

Depois do acontecimento, as assistentes de Weinstein começaram a chamar a atriz de novo para falar sobre novos projetos. Ela achou que poderia confrontar Weinstein e colocar tudo em pratos limpos, mas desta vez levou Ilona Herman com ela e pediu a Weinstein que a encontrasse num bar. As assistentes tinham sua coreografia própria, que usavam para atrair atrizes para a teia da aranha, e elas pressionaram Thurman, colocando Weinstein no telefone para dizer novamente que tinha sido um mal-entendido e que tinham muitos projetos juntos. Finalmente ela concordou em ir para o andar superior, enquanto Herman esperava num sofá ao lado dos elevadores. Thurman diz que, depois que as assistentes sumiram, ela avisou Weinstein:

“Se você fizer comigo o que fez com outras pessoas, vai perder sua carreira, sua reputação e sua família, prometo!” — Ela afirma.

No térreo do hotel, Ilona Herman estava ficando ansiosa:

“Parecia que estava demorando uma eternidade! E finalmente a porta do elevador se abriu e Thurman saiu. Ela estava muito descabelada, estava nervosíssima e estava olhando sem expressão alguma. Seus olhos estavam descontralados tal como ela. Eu a enfiei dentro de um táxi e voltamos para minha casa. Ela tremia imenso!” — Herman conta.

Herman também recorda que, quando Thurman conseguiu falar de novo, revelou que Harvey Weinstein tinha ameaçado acabar com a carreira dela.
Através de um porta-voz, Weinstein negou ter ameaçado as perspectivas profissionais de Thurman e disse que a considera uma atriz brilhante. Ele reconheceu que o relato que ela fez dos episódios é correta, mas disse que, até o incidente na sauna em Paris, eles tiveram uma relação de trabalho divertida e marcada por um clima de flerte.

O senhor Weinstein admite que flertou com Uma Thurman na Inglaterra depois de ter interpretado erroneamente os sinais dela em Paris. Ele pediu desculpas imediatamente — Diz o comunicado. 

Thurman diz que, apesar de estar no meio de uma série de projetos para a Miramax, a partir daquele momento passou a enxergar Weinstein como um inimigo, mas claro sem dizer isso a ninguém. Um alto executivo de Hollywood que conhecia os dois disse que a relação de trabalho entre eles continuou, mas que, basicamente, ela não falava mais com ele da mesma forma. Thurman diz que podia tolerar o magnata em ambientes supervisionados e que imaginou que tivesse passado da idade dos alvos favoritos de ataque de Weinstein.
Em setembro, ela foi a uma festa que Weinstein promoveu para comemorar o noivado de Tarantino com a cantora israelense Daniella Pick. Respondendo a perguntas sobre as revelações de Thurman, Weinstein enviou seis fotos dele com ela em poses amigáveis em premières e festas ao longo dos anos.

E isso nos conduz à ‘questão Quentin’ — Palavras da atriz.

A hostilidade entre Weinstein e Thurman contaminou a parceria criativa dela com Tarantino.
Casada com Ethan Hawke, com uma filha bebê e um filhinho a caminho, Thurman foi ao festival de cinema de Cannes em 2001 e diz que, depois de um jantar, Tarantino observou que ela estava pouco à vontade com Weinstein e isso era um problema, já que eles estavam prestes a filmar ‘Kill Bill’.
Ela diz que lembrou Tarantino que já havia lhe contado sobre o incidente no Savoy, mas que ele provavelmente fez pouco caso, dizendo algo do tipo:

”Coitado de Harvey, tentando seduzir garotas que ele não pode ter — Palavras de Tarantino, na memória de Thurman.

Mas ela o lembrou disso outra vez, e finalmente ele entendeu, ele enfrentou Harvey e perguntou sobre o assunto — a atriz conta.
Mais tarde, ao lado da piscina do luxuoso Hotel onde Thurman estava hospedada, Weinstein disse que estava magoado e surpreso com as acusações dela e ela então reiterou com firmeza o que acontecera em Londres.

”Em dado momento, o olhar dele mudou, e ele passou de agressivo a envergonhado e depois pediu desculpas. Eu fui embora espantada, pensando: ‘Okay, recebi meu pedido dedesculpas fajuto’ — Ela conta. 

Weinstein confirmou na sexta-feira que pediu desculpas à atriz, uma admissão incomum vinda dele, levando Thurman a observar ironicamente:

”A terapia deve estar funcionando para ele — A atriz fala, com um ar zangado.

Desde que as revelações sobre Harvey Weinstein vieram a público, no ano passado, Uma Thurman vem revivendo seus encontros com ele e um incidente assustador ocorrido no set de ‘Kill Bill’ no México a fez sentir que tinha sido pega totalmente de surpresa em seu ponto cego, como a noiva no filme, e ter ficado tão determinada quanto ela a conseguir sua desforra. Faltando quatro dias para o final, depois de nove meses de filmagens da saga sádica, pediram a Thurman que fizesse algo que a levou a dizer não.

Na cena famosa em que ela dirige o conversível azul a caminho de ir matar Bill, a mesma cena que ela postou no Instagram no Dia de Ação de Graças, pediram-lhe que ela própria conduzisse o carro. Mas, ela diz, um motorista a levara a entender que o carro, que tinha sido reconfigurado de um câmbio manual para câmbio automático, talvez não estivesse funcionando muito bem e ainda diz que insistiu que não se sentia à vontade conduzindo o carro e preferia que a dublê o fizesse. Os produtores dizem que não se recordam de Thurman ter feito alguma objeção.

”Quentin veio ao meu trailer e, como qualquer diretor, não gostou de ouvir um ‘não’, ele estava muito furioso porque eu lhes tinha custado muito, mas eu estava com medo e ele me disse: ‘Prometo que o carro está ótimo, esse trecho da estrada é uma reta’, ele me persuadiu a fazer a cena e me instruiu também: ‘Acelere até 65 km/h, senão seu cabelo não vai voar do jeito certo e eu vou obrigar você a refazer toda a cena!’. Mas aquele carro era uma armadilha mortal, o assento não estava parafusado direito, a estrada era de areia e não era reta” — Thurman recorda.

Tarantino se negou a dar declarações sobre o assunto, então Thurman nos mostrou imagens que conseguiu apenas após 15 anos do incidente.

”Resolvendo meu próprio mistério, como Nancy Drew!” — Ela fala.

A cena aparece sob a perspectiva de uma câmera montada na parte traseira, é assustador ver Thurman se debatendo enquanto o carro sai da estrada e bate numa palmeira. Seu corpo contorcido se mexe, impotente, até que membros da equipe técnica aparecem no quadro para puxá-la para fora do veículo batido. Tarantino se debruça na direção dela, e Thurman abre um sorriso de alívio quando percebe que consegue ficar em pé por um instante.

”A direção estava na minha barriga, e minhas pernas estavam presas debaixo de mim, senti uma dor imensa e pensei: ‘Meu Deus, nunca mais vou conseguir caminhar’. Quando voltei do hospital com um suporte de pescoço, com meus joelhos machucados, um galo imenso na cabeça e um traumatismo craniano, eu quis ver o carro e fiquei muito abalada. Quentin e eu tivemos uma briga tremenda, e eu o acusei de tentar me matar. Ele ficou furioso com isso, acho que compreensivelmente, porque ele não achou que tivesse tentado me matar” — Thurman revela.

Embora o casamento deles estivesse indo mal, Ethan Hawke deixou imediatamente o set de fimagens, e embarcou num avião para ficar ao lado de sua mulher.

”Tive uma conversa muito séria com Quentin e me disse que tinha deixado Thurman na mão, como diretor e como amigo” — Hawke disse á atriz.
”Cara, ela é uma grande atriz, não uma pilota e dublê, e você sabe disso!” — Ele [Ethan Hawke] respondeu. 

Duas semanas após o acidente, depois de tentar ver o carro e as imagens do incidente, Thurman mandou seu advogado enviar uma carta à Miramax apresentando um relato resumido do que aconteceu e reservando-se o direito de processar a empresa. A Miramax ofereceu-lhe mostrar as imagens se ela assinasse um documento isentando-os de quaisquer consequências por meu sofrimento futuro, porém ela não o fez.

Thurman relata também que sua relaçao com Tarantino ficou abalada:

”Passamos anos numa briga terrível, então tivemos que divulgar os filmes. Era toda uma situação altamente instável. Tivemos uma briga tremenda, em Nova Iorque, em 2004, aos gritos, berrando um com o outro porque ele não me deixava ver as imagens. Ele me disse que foi a decisão que todos eles tinham tomado” — A atriz explica.

Hoje, tantos anos após o acidente, inspirada pela prestação de contas pela violência cometida contra mulheres, revivendo sua própria desumanização até chegar perto da morte no México e furiosa pelo fato de não ter havido mais repercussões legais para Weinstein, Thurman diz que entregou o resultado de suas próprias investigações à polícia e intensificou a pressão para persuadir Tarantino a lhe dar as imagens do acidente.

”Quentin finalmente reparou o erro, me dando as imagens depois de 15 anos, certo? Não que isso tenha importância agora, com meu pescoço permanentemente lesionado e meus joelhos arrebentados” — Ela fala.

Os aficionados de Tarantino enxergam um eco do acidente de Thurman em seu filme: ‘Death Proof’ de 2007, produzido por Harvey Weinstein, dirigido por Quentin Tarantino e estrelado pela dublê de Thurman, Zoë Bell. Mulheres jovens, incluindo Rose McGowan loira, morrem de várias maneiras no filme, inclusive por serem jogadas contra um para-brisa.

Sentada ao lado da lareira na segunda noite em que conversamos até as 3h da manhã, as lágrimas começam a escorrer pelo rosto de Thurman, que as enxuga.

”Quando eles se voltaram contra mim depois do acidente, passei de ser uma atriz e colaboradora criativa para ser uma ferramenta quebrada” — Thurman confessa.

Thurman diz que em ‘Kill Bill’, o próprio Tarantino fez as honras com alguns toques sádicos, cuspindo no rosto dela na cena em que Michael Madsen.

”Harvey me atacou, mas isso não me matou, o que realmente me afetou no acidente foi o fato de ter sido um golpe muito baixo. Até aquele momento eu já tinha passado por tantos anéis de fogo. Eu realmente sempre tinha sentido uma ligação com o bem maior no meu trabalho com Quentin, e quase tudo que eu deixei que me acontecesse e no qual participei foi como uma espécie de briga horrível na lama com um irmão muito furioso. Mas pelo menos eu tinha alguma voz nisso, sabe?” — A atriz afirma, dizendo também que não se sentiu desconfortável com nada daquilo, até ao acidente.

”Pessoalmente, levei 47 anos para deixar de chamar de ‘apaixonadas por mim’ às pessoas que eram muito más comigo. Levou muito tempo pois acho que, quando somos garotinhas, somos condicionadas a pensar que existe alguma ligação entre crueldade e amor. Essa é a era que precisamos deixar para trás” — Thurman finaliza, com um ar de alívio. 


Fonte: The New York Times: “This Is Why Uma Thurman Is Angry” | Tradução e Adaptação: Imposters Brasil / Clara Allain (Folha de S. Paulo)