Marianne Rendon estampa o artigo da revista Imagista

Foi no dia 6 de Outubro, que a revista de moda Imagista divulgou o artigo que conta com a presença de Marianne Rendón falando sobre o seu papel de Patti Smith na biografia de Robert Mapplethorpe, criada pelo roteirista e diretor, Ondi Timoner, suas inspirações no mundo artístico, música, livros e muito mais. 


  • O quão bem entendida você estava na história de Robert Mapplethorpe/Patti Smith antes de você assumir o papel de Patti Smith e como você se preparou para o papel?

Eu estava relativamente bem entendida da história deles, da perspectiva de Patti, tendo “Just Kids” (Autobiografia de Patti Smith, que tem pano de fundo a história de romance entre ela e Robert, com direito a várias revelações do famoso fotógrafo; No Brasil o livro é intitulado como “Só Garotos” e disponível fisicamente e digitalmente por cerca de 28R$ na Saraiva). Pati tinha uma grande influência sobre mim como uma artista nova crescendo na cidade de Nova Iorque. Mais tarde eu encontrei, quando eu estava no elenco, o que pudesse achar da descrição de Robert do relacionamento deles e de sua obsessão com ela. Eu tenho uma obsessão de longa data com Patti, e por anos na pós-graduação, ela é a única artista que me manteve me sentindo auténtica e perto de mim mesma. Eu olhei para ela como um tipo de santo da arte, e uma lembrança de continuar as coisas simples e pé no chão.

  • Como você se preparou para interpretar o seu personagem Jules para “Imposters” e de que maneira(s), se houver algumas, você é Jules?

Na verdade, não precisava me preparar para Jules. Pelo menos não conscientemente! Eu sentia que ela estava muito perto de mim como uma pessoa e apenas acabei por acentuar certas coisas em Jules, como seu sarcasmo. O co-criador e diretor da nossa série [Imposters], Adam Brooks, foi influenciado por Sandra Bernhard, uma comediante incrível.

  • Você ainda toca música e tem algum plano de uma carreira musical, para além de sua carreira de atriz?

Sim, ainda estou tocando música. Comprei um lindo Gibson (marca de instrumentos musicais), depois da nossa primeira temporada em Imposters e eu estava tocando bastante quando vivia em Los Angeles. Eu ando compondo. E ainda planejo formar uma banda novamente.

  • Nomeie três diretores com os quais você adoraria de trabalhar e então destaque um deles e nos explique porquê gostaria de colaborar com ele/a.

Eu amo Jill Soloway, eu acho que ela é ótima. Destacaria Jordan Peele, eu interpretaria qualquer papel por ele, esse seria o mais divertido que eu poderia colaborar, fiquei muito emocionada com “Get Out” (Em português: “Corra!”, um filme dirigido e roteirizado por Peele). E admiro o trabalho de Steven Soderbergh.

  • Com o quê você está mais entusiasmada na sua carreira?

Estou muito entusiasmada com os papéis escritos para mulheres. Eu adoraria interpretar mais ícones de mulheres como Patti [Smith]. E figuras políticas também seria ótimo. Talvez Susan Sontag ou Gloria Steinem, isso seria um sonho para mim. Eu também estou ansiosa para trabalhar com mais mulheres por-trás das câmeras. Leituras de mais roteiros escritos por mulheres. Este ano, tive a sorte de ter trabalhado com as diretoras: Marta Cunningham, Sheree Folkson e Ondi Timoner; com as escritoras: Kathy Greenberg, Emily Cook e Elisa Climent; e com as produtoras: Eliza Dushku e Patty Long.

  • Qual é a sua série favorita, para além de Imposters, e o que você ama nela?

Transparent, assista assim que puder! E não posso deixar de mencionar novamente The Sopranos, me lembra da minha cidade natal. E Key & Peele quando preciso de uma sobrecarga mental.

  • Se tivesse que recomendar um livro que muda vidas, qual seria esse livro?

Não consigo citar apenas um: “The Abortion” de Richard Brautigan, eu adoro o seu humor; “Changing” de Liv Ullmann; “Chelsea Girls” de Eileen Myles; “Under Milk Wood” de Dylan Thomas; Os trabalhos de Octavio Paz; As curtas de Anton Tchekhov, mais especificamente “Lady With The Lap Dog” e de Ernest Hemingway, mais especificamente “Hills Like White Elephants”.
Eu também adoro ler entrevistas, então: Susan Sontag para Rolling Stone, entrevistas dos anos 70: “The Afternoon Interviews” com Marcel Duchamp, foram muito influentes em mim.

  • O que há na sua playlist favorita do momento?

“Deep Shadows” de Little Ann; Muddy Waters, Scott Walker e Moon Dog, não acredito que crescendo em Nova Iorque, nunca soube do trabalho deles; Petunia & The Vipers, Petunia é um amigo meu do Canadá e não consigo acreditar que todas as pessoas no mundo não sabem muito sobre ele, ele acabou de lançar um álbum novo; Blue Tyranny Gene, esse tipo de conjunto de jazz; E claro George Harrison, sempre, sempre, sempre.

  • Como que a paisagem política atual está afetando você como artista?

Estou lendo o jornal todos os dias agora, sabendo o que está acontecendo. Me importando. Chamando senadores, dos quais nunca mais participei, mas agora se tornou um hábito. Na minha carreira, eu quero estar consciente de escolher trabalho e projetos que eu acho que estão promovendo vozes e valores diversos. Isso é muito importante para mim e para o meu futuro e carreira.

  • Se pudesse ser lembrada por algo, como humano e/ou como artista, qual seria ela e por quê?

Que eu estava presente com pessoas com quem trabalhei, conheci e interagi. Espero que eu possa fazer com que as pessoas se sintam vistas e ouvidas. É mesmo o que eu esperaria.

  • Quem teve o maior impacto em sua vida como artista?

Mais uma vez, não consigo restringi-lo a apenas um, perdão!
Patti Smith, obviamente; Anna Magnani; Gena Rowlands; Jim Houghton, que foi fundador do Signature Theatre em Nova Iorque e dirigiu em Juilliard (escola de música local) enquanto estudava, um humanitário e artista incrível; Ellen Lauren; Marvi, minha professora de piano de infância, que desapareceu, não sei onde está atualmente; Meu professor de flamenco, Eileen Pasloff, que me ensinou sobre todas as coisas sensuais como artista e sobre qualidade no desempenho, e não quero dizer qualidade como boa ou má, mas como você está fazendo alguma coisa com outra pessoa, como você se move através de um espaço, imagine um mundo… E pode ser concreto ou abstrato. Eu sempre me inclinei para a abstração!

Fonte: The Imagista Magazine: Article with Marianne Rendón by Michael Williams | Tradução e Adaptação: Imposters Brasil


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